Esclerose Múltipla

Vitamina D e Esclerose Múltipla

Conheça a relação entre a Vitamina D e Esclerose Múltipla

Saiba como usar adequadamente a substância e evitar surtos ou sequelas

O uso da vitamina D tem sido motivo de grande controvérsia na medicina. Enquanto alguns médicos são absolutamente contra o uso para o tratamento da esclerose múltipla, outros médicos clamam que a vitamina pode curar a doença.  Em minha opinião, ambos estão errados.

A hipótese de que a vitamina D previne surtos e/ou reduz o risco de uma pessoa desenvolver Esclerose Múltiplaprovém da constatação de que esta doença é mais frequente em países da Europa e América do Norte, nos quais o Sol – fonte da referida vitamina – incide menos do que nos países mais próximos à Zona Equatorial. Leia sobre Idade, sexo, etnia e região geográfica de maior incidência da esclerose múltipla.

A partir de então uma série de autores buscou entender a relação entre vitamina D e as doenças autoimunes. É sabido que que a vitamina D possui propriedades semelhantes à dos hormônios e que influencia o metabolismo do cálcio e atividade auto-imune. Além disso, os níveis de exposição solar e vitamina D durante a gestação do feto também influenciam o risco de desenvolver esclerose múltipla.

No ECTRIMS 2013 em Kopenhagen, o Dr Alberto Ascherio de Harvard Medical School, Boston, apresentou uma pesquisa categorizando pela dosagem de vitamina D a melhora dos pacientes, levando, na minha opinião à uma visão que fortalece muito cientificamente o uso da vitamina D em pacientes com esclerose múltipla.

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ATENÇÃO: em nenhuma das pesquisas realizadas a vitamina D foi usada isoladamente para o tratamento da esclerose múltipla. Portanto, não existe evidência científica que suporte o uso da vitamina D como monoterapia para o tratamento da esclerose múltipla

Apesar dos artigos científicos apresentados acima, saibam que para cada texto apoiando o uso da vitamina D, existe outro dizendo que não houve melhora com o uso da mesma. Eu selecionei as pesquisas com maior rigidez metodológica e seriedade.

No entanto, seu uso descontrolado pode piorar o quadro de saúde de um paciente. Isso ocorre porque a vitamina D é lipossolúvel e, diferentemente das outras vitaminas que são eliminadas pelo rim se tomadas em excesso, a vitamina D se acumula no fígado. Infelizmente todos os neurologistas que trabalham com esclerose múltipla já viram pacientes com hipervitaminose D, causadas por imprudências e uso desmedido. A hipervitaminose D é um quadro dramático que leva a sonolência, tremor, calcificação renal, hipertensão intracraniana e coma, se não for adequadamente tratada. Portanto, a dosagem periódica da vitamina D nos pacientes que fazem o uso da mesma é mandatório.

Como, então, realizar corretamente um tratamento com vitamina D para Esclerose Múltipla?

Confira algumas dicas:

– Evitar a automedicação: usar medicamento sem avaliação médica é uma atitude desaconselhável para qualquer doença e ainda menos para a Esclerose Múltipla, que pode comprometer seriamente determinadas funções do seu cérebro. Portanto, conte sempre com um neurologista especializado para avaliação e medicação;

– Buscar tratamento personalizado: cada pessoa tem uma susceptibilidade diferente em relação à Esclerose Múltipla, assim, o tratamento individualizado, feito à base de exames, é mais eficaz do que aquele generalizado, no qual a mesma dose de medicamento é ministrada para qualquer tipo de paciente;

– Controlar o uso por meio de exames: o uso indiscriminado de vitamina D em altas doses pode levar o paciente à intoxicação com nefrocalcinose, hipertensão intracraniana e coma. Por isso, esta substância deve ser ministrada somente após a obtenção de resultados de exames específicos, personalizados e periódicos.

Basear o uso de vitamina D para Esclerose Múltipla por conta do que ouviu dizer numa matéria ou peça de propaganda poderá fazer de você uma cobaia, um engodo de charlatões ou piorar sua doença. Portanto, para saber mais sobre o uso de vitamina D na Esclerose Múltipla, procure sempre neurologistas especializados no assunto, que poderão avaliar cada paciente de forma individualizada, com o objetivo de melhorar a sua qualidade de vida.

Até breve!

 

Bibliografia
Runia, Tessel F., et al. “Lower serum vitamin D levels are associated with a higher relapse risk in multiple sclerosis.” Neurology 79.3 (2012): 261-266.
Munger, Kassandra L., et al. “Vitamin D intake and incidence of multiple sclerosis.” Neurology 62.1 (2004): 60-65.
Ascherio, Alberto, Kassandra L. Munger, and K. Claire Simon. “Vitamin D and multiple sclerosis.” The Lancet Neurology 9.6 (2010): 599-612.

'Vitamina D e Esclerose Múltipla' há 8 comentários

  1. 3 de Janeiro de 2015 @ 12:11

    Sinto muita movimentação em minha cabeça, passei por 2 neuros, um disse que não era para se preocupar pois sou inteligente e passou feldené sl pixoxicam 20mg , outro disse que tive muita sorte e passou zitromax 500mg . O que acontece , não sinto as agulhadas mas as queimações, coceiras e dores em partes da cabeça? Passei tomar Citá deste que percebi os problemas das agulhadas. Todo este problema começou quando um psicologo me levou a uma grande depressão.

    • 5 de Fevereiro de 2015 @ 19:55

      Ola Maria Augusta, você precisa de um bom diagnóstico. Procure seu neurologista que após um bom exame e história médica ele poderá te ajudar. Um abraço e melhoras.

  2. 9 de Fevereiro de 2015 @ 12:39

    Bom dia Doutor. O que voce acha do tratamento com canabidiol para pacinete com EM? Obrigada. Elis

    • 8 de junho de 2015 @ 21:09

      Olá Elis, obrigado pelo seu contato. O tipo de tratamento é muito específico para cada paciente, converse com o médico responsável pelo tratamento que ele certamente poderá te informar sobre o método mais adequado para o organismo dela. Existem alguns tratamentos com canabidiol em casos de espasticidade que são bastante eficazes, mas não funciona para todos os tipos de sintomas. Um abraço.

  3. 17 de Fevereiro de 2015 @ 02:40

    Dr.guilherme boa noite
    O senhor ja ouviu falar do tratamento com baixas doses de naltrexone e sua eficacia?Como posso obter resultados de pesquisas confiaveis sobre esse medicamento q prtendo tomar?obrigado

    • 8 de junho de 2015 @ 21:08

      Olá Marcos, existem alguns tipos de tratamento para EM e, felizmente, muitos outros estão em fase de estudo. Cada paciente demanda um tipo de tratamento e o ideal é conversar com médico de sua confiança. Atualmente não existe nenhum tratamento com naltrexone aprovado e que apresente eficácia em estudos clínicos.
      Um abraço.

  4. 20 de Abril de 2015 @ 10:41

    Bom dia Dr,meu filho descobriu a EM a mais ou menos 3 anos, começou tratamento com betainterferona,porém os surtos continuaram e as lesões em ressonâncias tbm, trocamos de tratamento em janeiro hoje ele está fazendo uso de fingolimode e reposiçao de vit D,está muito bem .Gostaria de saber se o sr atende pacientes de outros estados para acompanhamento ?
    Desde já agradeço.

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