Esclerose Múltipla

Os anticorpos monoclonais e a Esclerose Múltipla

Anticorpo monoclonal se juntando a um receptor especifico na célula

Anticorpo monoclonal se juntando a um receptor especifico na célula

Anticorpos monoclonais ou mAb são provavelmente uma das maiores inovações no ramo da farmacologia das últimas décadas,  produzidos a partir de células chamadas linfócitos B, são as células de defesa do nosso organismo. Os anticorpos são moléculas altamente especializadas que funcionam como chaves que abrem fechaduras e dão sinais para a organização do nosso sistema imune, além de combaterem os germes.

Os anticorpos monoclonais surgem a partir de um único linfócito B que é clonado e imortalizado produzindo sempre os mesmos anticorpos. Dessa maneira podemos ativar um receptor celular específico no nosso organismo, e sinalizar um comando específico para o nosso sistema imune, minimizando os efeitos colaterais e aumentando os efeitos terapêuticos.

Em esclerose múltipla o primeiro anticorpo monoclonal comercializado é o natalizumabe.

O natalizumabe é um anticorpo recombinante humanizado da anti-α4-integrina, produzido por meio de tecnologia DNA recombinante.

O comando que este anticorpo monoclonal manda é impedir a adesão e a entrada de linfócitos no sistema nervoso central, ou seja ele impede a entrada das células do nosso próprio corpo que atacam a mielina no paciente com esclerose múltipla.

O natalizumabe tem se mostrado até o presente momento como a medicação mais potente aprovada para uso comercial na esclerose múltipla. Além dela existem outros anticorpos monoclonais que já são utilizados em outras doenças e estão em estudo clínico possivelmente liberadas para uso nos próximos anos.

Eles são:

  • Rituximabe – atualmente usado em artrite reumatóide;
  • Alemtuzumabe – atualmente utilizado em leucemias, que nos estudos iniciais mostrou-se ainda mais potente do que as últimas medicações;

Após o uso desses anticorpos monoclonais, pela primeira vez começou-se a falar em liberdade da doença- ou seja, nem todos, mas alguns pacientes permaneceram por mais de dois anos sem nenhum surto e sem atividade detectada mesmo com ressonância magnética.

Mas não pense que os problemas acabaram… a outra face dessas medicações são os efeitos colaterais.

No caso do Natalizumabe os efeiros colaterais são muito raros. Poucos pacientes tem reação à infusão, dor de cabeça, dor nas articulações são incomuns, mas existe um risco do paciente desenvolver LEMP.

LEMP é a leucoencefalopatia multifocal progressiva, é uma doença produzida por um vírus chamado vírus JC ou vírus BK. O que acontece é que da mesma maneira que a medicação bloqueia as células de defesa de invadirem o seu sistema nervoso central, ela impede que as células te defendam contra o vírus JC ou BK. Felizmente o risco de desenvolver LEMP é de 1 para 1000 pacientes.

Hoje se conhece outros preditores que aumentam ou diminuem o risco de LEMP.

Ou seja, o médico tem que fazer uma avaliação de risco e benefício. Como esclerose múltipla é uma doença grave, pode ser que o risco de 1/1000 de desenvolver LEMP, valha o preço. Em casos nos quais a esclerose múltipla é leve, com certeza não vale.

Todos esses dados devem ser avaliados em conjunto com seu médico, pesando risco e benefício para escolher a melhor terapia seja ela convencional, oral ou com anticorpos monoclonais.

Nos próximos tópicos vou falar mais de LEMP, Natalizumabe e outros anticorpos monoclonais.

Por fim, gostaria de deixar explicito que esses são os nomes das moléculas e que eu não recebo compensação de nenhum dos laboratórios para falar das medicações.

Até a próxima

'Os anticorpos monoclonais e a Esclerose Múltipla' há 2 comentários

  1. 28 de abril de 2014 @ 06:56

    Bom dia ! Eu tenho ams, gostaria de saber se mesmo no campo invetigativo tem alguma pesquisa sobre tratamento mesmo que paliativo?
    Grata

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