Esclerose Múltipla

História da Esclerose Múltipla

LIDWINAHistória da Esclerose Múltipla

 

O primeiro relato registrado por escrito na história que remete à esclerose múltipla veio da Holanda a partir de um diário que uma nobre do século XIV fez ao longo de sua vida. Foi Lidwina de Schiedam que viveu entre 1380 e 1433. Muito provavelmente Lidwina não foi a primeira paciente a ter esclerose múltipla, mas foi a primeira a manter um registro rico por escrito que permitiu um diagnostico retrospectivo.

Lidwina deixou em seu diário que após completar seus 16 começou a apresentar  vários sintomas iniciados com dificuldade para caminhar. Aos 19 anos apresentava paralisia das pernas e problemas visuais. O quadro é descrito com períodos de melhora e piora, até seu falecimento aos 54 anos.

Provavelmente Lidwina tinha esclerose múltipla na forma remitente-recorrente como veremos melhor na sessão “formas da esclerose múltipla” e o mais interessante é que as fases de remissão da doença foram atribuídas aos prolongados períodos de oração e jejum e renderam a Ludwina, em 1890, a canonização pelo Papa Leão XIII.

O próximo registro histórico da Esclerose Múltipla vem quatro séculos após, nas detalhadas anotações do diário de Augustus D’Esté, neto ilegítimo de Jorge III da Inglaterra, que documentou durante 26 anos sua doença. As primeiras descrições detalhadas dos aspectos clínicos da Esclerose Múltipla, válidos até os dias de hoje, são de Jean-Martin Charcot. Em sua extensa obra sobre o assunto, Charcot define a doença como “uma entidade clinicopatológica distinta, apresentando lesões disseminadas no espaço e no tempo, apresentando períodos de agudização e remissão, comprometimento principalmente da mielina, especialmente nas regiões periventriculares, nervos ópticos e medula espinhal”.  Suas observações sobre disseminação da doença no tempo e no espaço são usadas até hoje e o termo sclerose en plaques, criado durante as discussões do Hospital Salpetriére, é usado até os dias de hoje na literatura francesa.

Chama a atenção o fato da primeira paciente com esclerose múltipla da história ter sido canonizada e ser conhecida hoje como a padroeira das doenças incuráveis . As caracteristicas próprias da esclerose múltipla de possuir períodos de exacerbação e remissão e seu caráter errático e imprevisível permitiu que as terapias mais bizarras fossem disseminadas na sociedade.

Desde a terapia com picadas de abelha até a terapia exclusiva com vitamina D em doses altíssimas ou cirurgia para aumento das veias jugulares do pescoço: todas elas tem relatos de pacientes que melhoraram com a terapia! E isso é esperado, pois os pacientes que apresentam a forma remitente-recorrente, que são 80% de todos os pacientes com esclerose múltipla, após um período de piora, sempre vão melhorar. Com jejum, sem picada de abelha ou independente da vitamina D em altas doses.

Frente a esse cenário, independente de crença, é muito importante recorrermos ao que a estatística prova que é superior aos tratamentos com placebo. Ou seja, se você ou um familiar seu que possui esclerose múltipla está utilizando qualquer um desses tratamentos, vai existir uma melhora após um período de piora, mas isso não é necessariamente por conta do tratamento. Os tratamentos aprovados pelos grandes grupos de pesquisa formados a partir de forças-tarefas internacionais são superiores aos tratamentos milagrosos realizados isoladamente, e quem diz isso não sou só eu, e sim a matemática.

Eu devo abordar cada um dos tratamentos a seguir e trazer as fontes, as pesquisas originais e as críticas a cada um deles.

Sempre aborde esse assunto com o seu neurologista e sempre o questione antes de iniciar alguma terapia alternativa.

até sempre

por Dr. Guilherme Sciascia do Olival

 

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