Esclerose Múltipla

A esclerose múltipla vai afetar a minha inteligência?

 

A relação entre a Esclerose Múltipla e sua inteligência

Hoje um paciente meu se deparou com sua avaliação neuropsicológica. Essa avaliação neuropsicológica, para quem não conhece, avalia a forma como a Esclerose Múltpla pode afetar a inteligência, separada por cada uma de suas esferas: como atenção, memória, velocidade, etc. Sempre que um paciente realiza um teste sobre a própria inteligência, isso gera muita ansiedade sobre o resultado.

Se o paciente com esclerose múltipla tem um fantasma que o assombra, ele é a cadeira de rodas. Quando o médico pede um teste sobre a inteligência, é como se o paciente se deparasse com um novo inimigo, que ainda era desconhecido para ele. Um inimigo terrível!

E por quê é necessário realizar uma avaliação neuropsicológica? A esclerose múltipla afeta a inteligência? A memória? Causa demência?

esclerose múltipla pode afetar minha inteligência?

A Esclerose Múltipla pode afetar a minha inteligência?

Em primeiro lugar ela não causa demência! Mas a esclerose múltipla pode sim afetar a inteligência ou cognição, que é o termo técnico para se referir.

Em 1991, o Dr. Stephen Rao, da Universidade de Wisconsin publicou uma pesquisa no revista “Neurology” que mostrou taxas de 43% de alteração em avaliação neuropsicológica. A comunidade científica ficou em alvoroço com essa pesquisa, pois são taxas altíssimas, e foram feitas diversas críticas que culminaram com a formação de um grupo internacional com o objetivo de pesquisar as alterações na inteligência / cognição dos pacientes com esclerose múltipla. O estudo chamado COGIMUS (Cognitive Impairment in Multiple Sclerosis) contou com os principais centros e realizou uma publicação na revista Multiple Sclerosis que mostrou 20% de pacientes com alteração nos testes neuropsicológicos e correlacionou as alterações com o volume de lesões intracranianas pela Ressonância Magnética e escalas clínicas como o EDSS.

Ainda existem críticas a essa pesquisa pois além das lesões intracranianas outras coisas como depressão podem influenciar o desempenho na avaliação neuropsicológica. Além disso, é muito importante diferenciar um desempenho ruim nos testes de avaliação neuropsicológicos de comprometimento na vida do paciente decorrente disso. Esses estudos avaliaram testes apenas, e não desempenho no dia-a-dia!

As principais alterações decorrentes são:

  • Alteração de memória;
  • Dificuldade com organização e planejamento;
  • Lentificação do pensamento;
  • Dificuldade de manter atenção quando utilizadas técnicas de distração.

É como se o cérebro do paciente fosse um arquivo desorganizado. A informação está lá e ele encontra, mas de forma muito mais lenta.

Essas alterações, mesmo quando presentes, nem sempre trazem prejuízo para as atividades e desempenho profissional do paciente. O paciente que comentei no começo tem uma alteração na avaliação neuropsicológica compatível com o que comentamos, mas mantém um excelente desempenho no dia-a-dia e é inclusive um membro iminente da sociedade e em sua profissão!
Na nova era com medicações de alta potência ainda estamos por ver o que acontecerá depois de 10 anos com a doença melhor controlada. De acordo com os estudos do COGIMUS podemos inferir que quanto melhor controlada a doença, maior as chances de manter intactas as funções mentais.

Além disso existem vários tratamentos que podem ser feitos nos casos de alteração da inteligência/ cognição para os pacientes com alterações. Os principais são com Amantadina, Modafilina, Metilfenidato, Donepezila e Rivastigmina, além da chamada reabilitação cognitiva, que são técnicas semelhantes a “fisioterapia para mente”.

Enfim, se existir alguma suspeita de alteração da inteligência/cognição, converse com seu neurologista.

Eu vejo excelentes perspectivas para o futuro!

Até breve.

Fontes:

http://www.neurology.org/content/41/5/685.short

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19542262

 

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